Sleeping Beauty

 

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência morta


Um clichê. Fumava cigarros e mais cigarros. Que infâmia, tédio, falta de sentido.
Não pretendia coisa alguma mas reparava os movimentos e tentava entender.


Fora tão desgastante. A pele um lixo, em trapos, quilhões de chocolate e substâncias ricas em gordura.
Havia tanto tempo que sentia crudezza. You leave me dry.
Primeiro, definhou. Não chegou nem a sentir a volta de calor e eletricidade. Murchou. Secou. Apodreceu.
No chão, vermes e lavas sugaram os restos vitais.


Hoje, por motivo inesperado, contrário a toda secura e crueza instaladas e todo aquele pó, algo vibrou.

Sorriu, Fez um milhão de coisas, coisinhas, coisonas... Detonou. Não qualquer sorriso. Aquele que sai visceralmente e chacoalha o músculo combustor.
Será que é tudo mesmo tão sem sentido?

Adorei seus olhos. Eles sorriram.


Said, 'I'm not scared'
Turned to her and smiled
Secrets in his eyes
Sweetness of desire
Is this desire
Enough enough
To lift us higher
To lift above?
Hour-long, by hour, may we two stand
When we're dead, between these lands
The sun set behind his eyes
And Joe said, 'Is this desire?'
Is this desire
Enough enough
To lift us higher
To lift above?
Is this desire
Enough enough
Enough inside
Is this desire

 


I will let fly my love at your face.

I will say all the words I never meant to.
& I will mean them all.

You going away again & again and that leaves me so turned off.
I guess this is it.

How many times are you gonna say good-bye

And how many times are you gonna make me cry?


Sei que parece horrível por ser algo que também irei usufruir porém não conseguia pensar em presente melhor.  Não estava 100% disposta a torrar tanta grana de uma vez mas uma garrafa de Jack seria tudo que ela pediria em tal momento e situação.
Ok. Comprei. Dirijo para sua casa.
Dane-se o dinheiro. Quero é esquecer junto.


Ela se atirava contra a parede, entupia o fígado com substâncias baratas e
duvidosas, vomitava a dor, doia mais... arrumou briga, bebia mais, caia, levantava & saia andando sem rumo.

Quando suficiente é demais? Perguntava ao espelho se havia deixado de enxergar alguma placa importante. Aliás, tinha alguma?


Um grande enjôo matinal que duraria o dia todo. Estava gestando o nada.
Precisava ir embora dali onde tudo era feito do que não havia mais.
Vida estúpida, escolhas infames. Pessoas que nem a conheciam às vezes disparava a dar conselhos sobre essa infamidade. 

Eu observava porque não tinha muito o que pudesse dizer. Costumava levá-la beber, sabia que iria detonar e que caberia a mim carregar seu corpo etílico.
Sabia que, por ser nada burra, ela já sabia de tudo que ouvia. E ouviu, muito. De todos os lados. Ao mesmo tempo, ainda que estivesse na companhia de suas amigas, o que me inclui, sentia-se muito sozinha.
Como ela já me carregou muito, já presenciou o máximo do meu rídiculo, talvez, por isso ficava tão à vontade em contar com minha compreensão. Que claro, tinha incondicionavelmente.
Teve noites em que suas palavras bêbadas eram tão lindas e emocionais que me faziam chorar - levemente, para que ela nem percebesse. E não desatasse

assim, em um lamento chorosamente contínuo até que uma das duas caísse no sono, por exaustão emocional.

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Não tinha muito a dizer a ela, por outro lado.
O que dizer? Sinto, sister. Você realmente se ferrou. Mas muita gente te deu esse toque...
Talvez, tudo isso era precisamente o que ela não esquecia.
O que dizer, então?  Isso passa? Ainda bem que não tiveram filhos? Quanto antes melhor (mesmo após tantos anos?)?


Tem horas que calar é melhor.
Quieta, entrei, abri o bourbon. Bebemos lentamente. Durou bem até a metade da noite. Variávamos com cerveja para tirar o calor - sim, mesmo estando frio.

Ouvi ela passar por vários estágios durante a noite. Riu, dançou, enlouqueceu, falou, chorou, caiu.


Fui lá, carreguei ela, coloquei no carro, levei para casa.
Quando cheguei, adorei: ela tinha colocado uma ampola para o fígado em cima do travesseiro de cada uma, e tudo estava arrumado, era só se jogar e capotar.
Tirei nossos sapatos, arrumei aquele corpo magrelo e embriagado na cama,
deitei feliz e bêbada.

Não sonhei. Acho que desmaiei.

Ela é. Eu sou. Você não é.
Nunca foi da minha conta e nem será, é verdade.
Como havia dito, quero é esquecer junto.

No dia seguinte, trabalhar.
Sobreviver. Acordar e fazer seja lá o quê.
É sempre, diariamente,de alguma forma, o ser e o nada.

 

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