Era uma fome grande que corroia por dentro. Mal estar, saracutico. Não dá para ler, nem sentar, sequer andar, coisa alguma está boa. Nada satisfaçaz. O vazio, infindável tédio, remorso de tudo que não houve e cansaço de pensar que se floreia a vida, ser certinha, correta, feliz, capaz, eficiênte, simpática, ter boa aparência, bons modos, qualidades, enfim... até saber trocar o pneu.
Duzentas e cinquenta gramas de Alpino depois, ela apenas se sentia pior. Ainda existencialmente entediada e agora, com dor de barriga e sentimento de culpa. Nada bastava, coisa alguma preenchia. Enlouquecia. E sorria e conversava como se tudo estive indo bem, por que não?
O inferno era ali, dentro, dentro de si mesma, ininarrável. Uma droga que sirva, por favor. Álcool em quantidade o suficiente para derrubar esse cavalo que mora em mim, e quer correr, fugir livre daqui.
Como se foge de si mesma? Minha amiga tem uma teoria: esqueça quem você é, perca a noção...
Se esses problemas fossem as drogas... Drogas são fáceis.
Tudo foi gradativamente tomando proporções medonhas. Pensou em sair mas NENHUMA roupa ficou boa... Ela parecia uma baleia em todas. Desânimo.
Os pais a chamaram para jantar... Ela estava tão sozinha no quarto que foi encontrá-los na sala de jantar. Dois pedaços de pizza depois - cerca de 1000 calorias - não se sentia nada melhor.
Foi ao cinema, pegou duas porções ridículas, cherou até seu nariz ficar ardendo e saiu sem pensar muito. Preto sempre dava o truque. Rosto errado, corpo enorme, roupa horrível, humor não melhor, sem mencionar aquele cabelo... Ai, melhor esquecer mesmo.
Enquanto a observava enlouquecendo, sentindo dez kilos a mais - DE CADA LADO - peguei outra champagne. Porra de paranóia essa. Gosto mesmo é de anfetamina. E álcool, claro. Todos os psicodélicos, desejados e cobiçados.
Enquanto sorvia o líquido surpreendendente não vagabundo, pensava em quantas vezes não subimos em algum apartamento bem alto, para alugar, vazio... faziamos um e transávamos. No alto. Really high.
A fofa já estava a ponto de arrancar a roupa, indo para o banheiro toda hora e voltando fungando... Será que podemos ir embora, fofa?
Não tem uísque ou champagne bom o suficiente para me fazer ficar assistindo minha amiga apodrecendo etilicamente e começando a perder pedaços da roupa. Acho que não precisamos disso hoje. Em todo caso, bebo rapidamente mais uma dose. Vamos, querida, vamos fazer algo bem divertido...
E ai? O que tem de divertido aqui no carro? Para onde vamos? ............ Vamos dirigir um pouco e tomar ar... Like a bad girl should. E um mimo extra: vamos ouvir Cramps!
Na casa de Jay todo mundo parecia calmo e fumado. A música era super loudge e estávamos uns duzentos quilómetros mais rápidas que qualquer um naquele apartamento. Colocaram Eletric Light da PJ sabendo que eu adoro... Quase morri de tédio... parece Portshead, não gosto daquela canção.
Juro que tentei segurá-la todas as vezes que quase caiu. Só que depois de um tempo não consegui mais ficar de pé ou sequer enxergar onde afinal, ela havia ido parar... Lembro de muita fumaça, vodkas com nomes estranhos, um pouco de água, muitas risadas...
Incapaz de cuidar sequer de minha memória. Dirijo sempre, nunca perco as chaves nem os documentos. Apenas não lembro que faço nem como cheguei em casa.
Não, você está linda. Só as olheiras é que estão terríveis. Ah, desculpe, é verdade...
Joseph walked on and on
The sunset went down and down
Coldness cooled their desire
And Dawn said, 'Let's build a fire'
The sun dressed the trees in green
And Joe said, 'I feel like a King'
And Dawn's neck and her feet were bare
Sweetness in her golden hair
Said, 'Iím not scared'
Turned to her and smiled
Secrets in his eyes
Sweetness of desire
Is this desire
Enough enough
To lift us higher
To lift above?
Hour-long, by hour, may we two stand
When we're dead, between these lands
The sun set behind his eyes
And Joe said, 'Is this desire?'
Is this desire
Enough enough
To lift us higher
To lift above?
Is this desire
Enough enough
Enough inside
Is this desire
"Entre os anos de 1998/2002, o mundo todo gastou CINCO vezes mais com
Implante de Seios e com Viagra do que na investigação sobre o Mal de
Alzheimer. O que se pode prever é que, daqui a 30 anos, haverá um grande
número de pessoas idosas com seios enormes e ereções extraordinárias, mas
incapazes de lembrar para que ambos servem..."
Hugo Rodrigues - Analista/Consultor
E assim caminha a humanidade... Promessas esquecidas, excesso de regras e normas que não funcionam porque o seres humanos (?) são como a língua, um organismo vivo e em constante transformação... Mesmo que não saiam do lugar, conhece o ditado, afunda... e isso é movimento e transformação... De parasita para lesma, ou vice-versa.
Nefastos, sub-humanos, sobre-humanos, dinheiro e valores vazios. A grande mídia e seu ganha pão calcado na ignorância e baixa auto-estima alheia. Enoja-me. Vomito-lhes. Toda a escrotice. Úlcera não terei. Vomito vocês. Vermes.
I THINK I ' VE HAD IT!
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